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domingo, 12 de dezembro de 2010

Piercengs, tatuagens e afins: "usar ou não usar, eis a questão"

Por Sandro Baggio

Piercings estão cada vez mais comuns em nossos dias. Algo que há menos uma década era olhado com reprovação e preconceito, é hoje visto em homens, mulheres, jovens e até crianças. Se a sociedade parece estar aceitando esses adereços cada vez com mais naturalidade, os cristãos parecem confusos a respeito. Afinal de contas, a questão da aparência ainda é assunto de grande discussão e controvérsia em muitos círculos evangélicos. A primeira coisa que precisamos ter em mente quando o assunto é aparência pessoal, é que se trata de algo que muda com o tempo e com o lugar.

Usos e costumes estão diretamente ligados à cultura. Basicamente uma cultura é formada por três elementos: cosmovisão (a maneira como um povo vê o mundo), sistema de valores (o que é importante para aquele povo) e normas de conduta (o modo como um povo se comporta, e isso dizem respeito tanto à vestimenta, como ao modo de se relacionar com os outros, etc.). Culturas são diferentes de acordo com sua cosmovisão, valores e normas de conduta. Arrotar em público após uma refeição é totalmente aceitável (e até louvável) em certas culturas, e repugnante em outras. Uma mulher com os seios à mostra é normal em muitos países da África (onde a mesma mulher não pode exibir as pernas acima do tornozelo) enquanto que o mesmo é obsceno em outras partes do mundo. Beijar na boca em público é normal aqui no Brasil, mas pode levar alguém à cadeia em certos países islâmicos. Nestes mesmos países islâmicos, um homem não pode andar de mãos dadas com sua esposa, mas pode andar de mãos dadas com outro homem. No Ocidente tal prática evoca idéias de homossexualismo. E por aí vai. Todas essas coisas são formas de expressão cultural. Podem ser um insulto ou algo escandaloso para os de fora (que não fazem parte da cultura), mas não são necessariamente erradas para quem é daquela cultura. O fato é que nenhuma cultura é totalmente igual à outra e nenhuma cultura está acima da outra.

João viu no céu povos de todas as tribos, raças, línguas e nações (grupos étnicos). Todas as culturas possuem elementos que precisam ser valorizados e outros que precisam ser transformados pelo Evangelho. Sendo a aparência pessoal é uma questão de expressão cultural, esta aparência também muda de acordo com a cultura. Pinturas na face e no corpo estão presentes em diversas culturas. Na Polinésia, os nativos usam a tatuagem para escrever sua história familiar no corpo. A tatuagem e o piercing no umbigo eram comuns no Antigo Egito. Alguns povos usam piercing, brincos e outras formas de alteração do corpo (body modification ou simplesmente body modi).

O problema é que o mundo está ficando pequeno. Estamos nos tornando cada vez mais uma aldeia global. Esta globalização faz com que certos costumes que antes só eram vistos em algumas culturas isoladas e lugares remotos da terra, comecem a se tornar moda em todo o mundo. A tatuagem de henna é um exemplo recente desta realidade.E quem são os responsáveis pelo lançamento da moda em nosso mundo? Os meios de comunicação em massa, que muitas vezes mostram artistas, músicos e cantores usando determinada roupa, adereço, estilos diferentes muitas vezes copiados por nós, ou porque não dizer, copiados de nós.

Isto mesmo!!! Citando dois exemplo: Os Rapper’s americanos não inventaram um estilo de roupa e ornamentos, eles já existiam, porém foram popularizados pela mídia. A popularização de alguns costumes orientais no Ocidente teve forte influência dos Beatles, quando estavam em sua fase “Flower and Power”. Muitas das batas, camisões e pantalonas que vemos hoje em nossas ruas, praças, e até na igreja, foram uma influência direta da que é chamada a “maior banda de todos os tempos”, porém, são “politicamente aceitas” por muitas de nossas lideranças. A popularização do piercing foi em 1993 com o vídeo clipe “Cryin”, do Aerosmith, onde Alicia Silverstone apareceu com um piercing no umbigo. Uma banda de rock, uma balada romântica, uma jovem atriz linda. Elementos essenciais para fazer a moda pop ou cultura pop, que nada mais é do que uma mistura de culturas e costumes do mundo pós-moderno. Leornard Sweet, professor metodista e um dos mais interessantes pensadores cristãos de nossa época, comenta sobre tatuagens e piercings em seu e-book recente “The Dawn Mistaken For Dusk”. Ele diz que, a razão pela qual “body modi” é o assunto nº.1 nas listas de discussões e bate-papos de jovens cristãos com menos de 30 anos nos EUA, é pelo fato disto fazer parte da cultura jovem pós-moderna atual (e quase global), uma cultura onde a imagem é altamente valorizada.

A ironia disso tudo é que cirurgias plásticas e implante de silicone são coisas cada vez mais aceitas pelos cristãos modernos. Tem personalidades famosas do mundo evangélico brasileiro com o corpo siliconado.

Todavia, como diz Sweet, “Cirurgia plástica é uma forma severa de alteração do corpo. Isto é aceito, mas brincos e tatuagens, não são?”. Na Bíblia lemos à história de Isaque que deu a Rebeca uma argola de seis gramas de ouro para ser colocada no nariz (piercing) e, após fazer isto, ajoelhou-se para adorar a Deus. Penso que se o primeiro ato fosse pecado ou considerado pagão, então Isaque não teria adorado a Deus em seguida.No livro de Êxodo, percebemos que as mulheres dos hebreus usavam brincos e argolas, os quais foram oferecidos como oferta dedicada ao Senhor para a construção do Tabernáculo. Novamente, não penso que Deus aceitaria de seu povo ofertas que representassem costumes pagãos.

O texto mais intrigante para mim se encontra em Ez 16.11-12: “Também te adornei com enfeites, e te pus braceletes nas mãos e colar à roda do teu pescoço. Coloquei-te um pendente no nariz, arrecadas nas orelhas, e linda coroa na cabeça” (ARA), onde o próprio Deus diz que adornou Jerusalém com jóias, pulseiras, colares, argolas para o nariz e brincos para as orelhas. Ao que parece, tais adornos não eram uma ofensa ao Senhor.

Uma vez que a Bíblia parece não condenar o uso de piercing, por que deveríamos nós? Nosso desafio não é condenar, mas orientar as pessoas (principalmente os jovens) para os riscos que existem em fazer estas coisas sem uma orientação profissional e cuidados de higiene e saúde. A pessoa está consciente dos riscos de inflamação, doenças contagiosas e “efeitos colaterais” diante da sociedade? Está consciente de que algumas alterações são irreversíveis e, mesmo diante da possibilidade de reversão, podem deixar marcas para o resto da vida? Mais ainda, precisamos falar sobre questões de identidade, valor pessoal e auto-imagem. Pois são estas as questões mais importantes para quem está considerando qualquer forma de alteração do corpo, seja uma plástica no nariz, implantar silicone, colocar um piercing ou fazer uma tatuagem.


***
Sandro Baggio é pastor-missionário, ocasionalmente tradutor e intérprete, escritor, leitor compulsivo, fã do U2 e membro do Projeto 242

Nosso comentário:
Esse blog é interdenominacional e com esse texto quero saber a opinião de vocês sobre o tema.
E ai, usar pierceng e tatuagem é pecado?
Só peço para que seja um debate com conteúdo e não coisas do tipo: "Isso é só o sangue", "misericredo", "sai de retro", quero um debate com pessoas pensantes, que creio que você é...rs

Graça e Paz,
Wanderson Lima
(Membro da Igreja Cristã Ibero-Americana)

5 comentários:

pastordu disse...

Sandro, gostei muito do assunto. Na minha humilde opinião, eu não sou contra o uso de brinco, tatoo e nem Piercengs, apenas acho que tem que haver um cuidado com a higiene como vc colocou e em qual parte do corpo vai ser colocado. Por que digo isso?
Por causa da sensualidade. Por exemplo: Uma menina que coloca um Pierceng no umbigo, para mostra - lo ela terá que mostrar a sua barriga e todo mundo sabe que esta parte do corpo de uma mulher é considerado zona erógena, causando excitação nos homens. Como colocar um Pierceng no umbigo e não buscar sensualidade? Eu confesso que não sei, agora quanto ao mais eu não vejo nenhum problema.
Fikm na paz

Wanderson Lima (Autor e Fundador do Blog Ministério dos Jovens) disse...

Paz Pastor, tudo bem??
Realmente, o pecado não está tanto no fato de se colocar, mais sim na intenção.
Colocar pra se achar mais bonita, tudo bem, colocar para seduzir é pecado (À não ser que seja casada..risos)

Só uma observação: O texto é do Pr.Sandro, contudo foi eu Wanderson Lima, que postei o texto neste blog.

Graça e Paz,
Wanderson Lima

Ibero disse...

Paz!

O texto em questão até que é inteligente. Porém, procura elucidar no começo e trás muita escuridão no final... Contraditório,enfim. Na minha opinião não explica nada e não esclarece nada.
O debate em torno de adornos e outras penduricalhos, assim como piercings e tattoos é um debate sem fim e enfadonho: NUNCA HAVERÁ CONSENSO.
Pessoalmente, aconselho as pessoas a que se submetam às orientações de seus pastores, em suas respectivas denominações. Caso não se sintam bem com os posicionamentos comportamentais aonde estão, que procurem uma comunidade cristã que melhor corresponde com sua forma de ser e pensar.
Nós, da Igreja Cristã Ibero-Americana, por exemplo, não ensinamos, não incentivamos e achamos que todo aquele que tem o Espírito Santo saberá discernir os limites entre o que é belo e o que esteticamente aceito; entre o que é apelação erótica e mutilação do corpo - informamos que o presente Blog e seu fundador não representam o pensamento de nossa denominação, apenas estão propondo um debate que, como já disse, jamais chegará a lugar algum em razão de haver uma infinidade de pensamentos e interpretações Escriturísticas.
Há muitas coisas maiores a se pensar e assuntos que podem se tornar convergentes. Debate por debate não vale a pena.

Paulo exorta a Timóteo dizendo o seguinte: "Como te roguei, quando parti para a macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns, que não ensinem outra doutrina...que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé; assim o faço agora.Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida." (I Tm 1.3-5).

Para concluir, me esforço para ser pastor há 17 anos; sou mobilizador de missões a 21 anos; trabalho com agências missionárias há 15 anos; não gosto do U2 e nenhuma banda semelhante, não conheço o Projeto 242 e nunca ouvi falar de Sandro Baggio.

Meu comentário é apenas uma resposta, pois este assunto começou após uma conversa sem nenhuma pretensão sobre o assunto e nosso querido Wanderson transformou em assunto "bloguístico".

pr Aécio

Ibero disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Wanderson Lima (Autor e Fundador do Blog Ministério dos Jovens) disse...

Graça e Paz pastor Aécio.

Concordo com algumas posições colocadas pelo senhor no comentário, concordo com ressalvas de outros e não concordo com alguns, mais enfim como o senhor mesmo disse: "Esse é um debate sem fim".

A opinião do Sandro, eu também não aceito inteiramente, contudo coloquei esse blog, para um debate, já que o público alvo é Jovens (e estava sem conteúdo pra nós...risos)

Essa matéria não tem e nenhuma outra matéria que vier ser publicada, terá por objetivo tão somente levantar o debate da qual todos nós precisamos.

Eu respeito o posicionamento da Igreja Cristã Ibero-Americana e com isso me submeto às doutrinas e costumes "impostos" pela igreja.

Sem mais,

Wanderson Lima

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